setembro 2, 2015

Descomplicando a dermatite de contato

Dermatite ou Eczema de contato representa 3,9% de todas as visitas aos consultórios dermatológicos, conforme senso realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Quando consideramos as dermatoses ocupacionais (as que ocorrem no ambiente de trabalho) este valor aumenta para 70%. Tal estatística mostra a importância desta doença. Mas, o que é a dermatite de contato?

Dermatite de contato é um termo utilizado para descrever processos irritativos da pele desencadeados por agentes externos. Os quadros podem ser decorrentes do contato tanto com substâncias cáusticas como com substâncias alérgenas. Quando desencadeados por substâncias cáusticas não há participação do sistema imune, e sim lesão por ação direta da substância sobre a pele. Logo, o processo não é considerado “alérgico”. Por outro lado, nos casos desencadeados pelas substâncias alérgenas, o sistema imunológico é estimulado a “atacar” a pele e causar uma verdadeira “alergia”.   Desta forma, poderíamos dividir a dermatite de contato em alérgica e não alérgica (ou por irritante).

Vários fatores podem influenciar no surgimento da dermatite de contato, como por exemplo: as características das substâncias irritantes, o local da pele afetada, o tempo e o tipo de contato, os fatores climáticos (humidade e temperatura), a luz solar, além de outros. Isso torna a classificação clínica um pouco mais complexa. Então, de forma didática, podemos classificar a dermatite de contato (DC) da seguinte maneira:

DC por irritantes subjetivos – são quadros leves que surgem após breve contato em áreas de pele fina, como a face;

DC por irritantes agudos – são substâncias com grande capacidade cáustica e decorre de um ou poucos contatos;

DC por irritantes cumulativos – decorre de exposição recorrente a irritantes “fracos”, que podem ser molhados (detergentes, solventes, sabões) ou secos (baixa humidade, calor, poeiras e pós);

DC alérgica – somente pode ocorrer após o primeiro contato com substância com capacidade de estimular o sistema imune;

Fotoalergias – quadros que são desencadeados ou agravados após exposição solar;

DC sistêmica – quando existe ingestão de uma substância em que houve sensibilização (exposição) prévia.

Com uma melhor compreensão sobre a definição e uma breve idéia da classificação, fica mais fácil entender alguns conceitos. O primeiro, e o mais questionado, é sobre a indicação de testes diagnósticos. Não existe exame de sangue capaz de diagnosticar a dermatite de contato. O teste de contato é o exame de escolha para casos suspeitos, mas não é infalível. Além de não ser capazes de identificar casos desencadeados por irritantes, pode, em algumas situações, dar resultado falseado.

Na avaliação da dermatite de contato, o dermatologista é fundamental para o diagnóstico e, a aderência ao tratamento é essencial para o sucesso. A terapêutica se baseia, principalmente, na retirada da substância desencadeadora do quadro e medidas de adequada proteção, se necessidade inequívoca de reexposição à mesma. A medicação a ser utilizada dependerá do estágio em que a doença se encontra.

Prevenir é o melhor remédio!

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